Tudo ainda estava escuro, lentamente uma luz forte invadia minha
visão, era uma luz incandescente, branca, na verdade tudo ali era assim. Quando
consegui abrir completamente os olhos percebi em um sobressalto que estava em um
hospital. Eu não tinha a mínima ideia do que havia acontecido ou de como eu
tinha ido parar ali, tudo que eu sabia era que precisava ir para casa, tentei
me levantar, mas não consegui estava dopada demais para isso, me virei e vi uma
enfermeira ao meu lado.
- Como eu vim parar aqui?
- Você sofreu um acidente, ficou inconsciente durante três
dias. – Ela respondeu em um tom doce e educado, enquanto eu me levantava.
- Acidente? Que acidente? Como aconteceu?
- Calma. Eu explico tudo depois, agora descanse – Ela me colocou
de volta na cama e depois foi embora.
Quando ela fechou a porta eu me levantei peguei minhas coisas
e sai correndo não podia ficar nem mais um minuto naquele lugar, estava
chovendo muito e quando abri a porta fui surpreendida por uma mulher misteriosa
que me parou e disse:
- Cuidado minha jovem, pois nunca se sabe quem pode estar nos
observando.
Eu não fazia a menor ideia do que ela estava falando, mas não
dei muita importância, tudo que eu queria era ir para casa. Atravessei o jardim
do hospital e quando passei pelos portões eu vi a figura de um rapaz alto e
forte encostado no poste, ele olhou para mim e instantaneamente eu senti um
calafrio e então ele chamou meu nome:
- Amber.
- Quem é você? E como sabe o meu nome? – Perguntei. Enquanto tentava
ver seu rosto.
Decidi me aproximar, mas quando estava chegando perto dele,
um clarão encandeou meus olhos e ele sumiu de repente deixando apenas uma rosa
vermelha. Eu estava muito confusa e comecei a achar que estava louca. Continuei
andando tentando não demonstrar o medo que estava sentindo naquele momento e
tentando descobrir se aquilo realmente tinha acontecido ou se tinha sido só uma
ilusão da minha mente.
Chegando em casa meus irmãos Ben e Kate estavam sentados no
sofá assistindo TV e meus pais ainda não tinham chegado. Fechei a porta e os
dois olharam instantaneamente para mim. Ben veio correndo me abraçar e Kate
começou a me interrogar perguntando onde eu havia passado os últimos três dias.
Fui direto para o meu quarto ignorando-a. Tranquei a porta, deitei na minha
cama e coloquei meus fones de ouvido tentando me desligar do mundo enquanto
absorvia tudo que havia acontecido. Dormi por algumas horas e quando acordei já
era noite, tomei um banho e deitei-me novamente.
A chuva começou a cair com impacto sobre meu telhado e o
vento batia forte na janela do meu quarto. Procurei algo para ler ou para
passar o tempo, já que não estava conseguindo dormir. Peguei um livro do qual
nunca tinha prestado atenção e comecei a ler, mas parei assim que ouvi um
barulho vindo da janela que, com toda certeza, não era o vento. Abri as
cortinas e me assustei ao ver uma mão tocando a janela, era de meu irmão mais
novo, Ben, que adora pregar peças. Sem dar muita importância fechei as cortinas
e me deitei novamente, voltei a ler, mas fui interrompida por outra batida, mas
desta vez, mais forte. Achei que era ele, mas quando abri as cortinas, pronta
para dar-lhe uma bronca, o que apareceu foi uma figura sombria, inteira de
preto ao longe de minha casa, achei que fosse mais uma de suas pegadinhas e
chamei seu nome. Surpreendi-me ao ver Ben aparecer pela porta de meu quarto e
logo vi que aquilo não era uma de suas brincadeiras, logo, o medo tomou conta
de mim, eu estava tremendo e quando olhei novamente para fora, ele havia sumido
em meio à neblina.
- O que aconteceu? – Perguntou Ben ao ver que eu estava
tremendo.
- Nada, não foi nada. – Disse eu tentando disfarçar o pânico
em minha voz. – Volte para a cama, já está tarde.
Assim que ele saiu, eu tranquei a porta e corri para a
janela. Eu fiquei olhando por um tempo, mas como não conseguia ver nada por
causa da neblina decidi ir até lá, vesti uma calça, peguei meu casaco e uma
lanterna e desci a escada silenciosamente para não acordar meus pais ou meus
irmãos, abri a porta e me surpreendi ao ver um envelope no chão com o meu nome.
Abri o envelope, mas não havia nada dentro. Peguei a maçaneta da porta para
fecha-la, mas antes que pudesse fazer isso senti um calafrio na nuca, tentei
não entrar em pânico e comecei a me virar lentamente, mas parei quando ouvi uma
voz rouca vindo da neblina gritando:
- Amber, corra.
Eu larguei o envelope no chão e sai correndo em direção à
floresta eu podia ouvir os passos dele, correndo atrás de mim, mas quando
olhava para trás não via nada. Corri, corri até avistar uma antiga cabana,
comecei a gritar, mas tropecei em uma pedra. Foi quando percebi que os passos
haviam parado. Levantei-me coberta de lama e continuei correndo até chegar à
cabana, bati na porta e a mesma voz que havia me dito para correr falou comigo:
- Entre minha jovem eu estava a sua espera.
Abri a porta lentamente, vi uma pequena cozinha com apenas
uma mesa, uma lareira e um quarto escuro, entrei cautelosamente e fechei a
porta. Entrei no quarto a procura de quem havia falado comigo, mas eu não
conseguia ver nada, então a porta fechou-se atrás de mim e uma vela acendeu-se
mostrando uma velha senhora deitada segurando um colar com um pingente em forma
de uma gota d’água brilhante e negro, ela me deu o colar e disse:
- Guarde esse colar com a sua vida e encontre os outros seis.
Você não pode falhar você deve partir agora, há uma cachoeira perto daqui, lá
você encontrará ajuda e respostas. Agora vá.
- Eu não posso ajudar, tenho que voltar para casa.
- Se você voltar para casa ele irá matar você e a todos que
você conhece. Por isso você deve partir agora e nunca olhe para trás.
De repente a vela se apagou e a porta se abriu revelando uma
figura alta e sombria olhando fixamente para o colar. Sai pela janela e corri
pela floresta sem direção por alguma razão ele não me seguiu, mas eu não liguei
para isso só continuei correndo até chegar à cachoeira que aquela mulher havia
me dito, mas não havia nada lá. ‘Nunca se sabe quem pode estar nos observando’
me lembrei daquela mulher no hospital. Olhei para cachoeira procurando algo ou alguém
até que reparei uma caverna na parte superior da cachoeira.
- É isso!
Subi até a caverna. Chegando lá havia uma garotinha loira com
olhos verdes segurando uma tocha, ela olhou para o pingente e disse:
- Siga-me
Eu a segui até um vale atrás da cachoeira, onde havia um rapaz
parado na entrada. Ele era alto e forte, seus cabelos eram pretos e seus olhos
de um cinza hipnotizante. Ele olhou para mim e disse:
- Então você é a escolhida! Qual é o seu nome?
- Amber e o seu?
- Kyle. Venha ruivinha não temos tempo a perder.
- Não me chame de ruivinha. E para onde vamos?
- Procurar os seis colares que faltam.
- Mas eu acabei de chegar.
Ele foi andando aos estábulos ignorando-me, jogou uma faca
para mim e disse:
- Suba, temos que ir.
Ele estendeu a mão para eu subir, mas eu devolvi a faca e
subi em outro cavalo. Ele deu um sorriso sarcástico e continuou cavalgando, eu
o segui. Cavalgamos a noite toda, eram quase 12h quando meu celular tocou, era
minha irmã Kate, mas antes que eu pudesse sequer atender, Kyle tomou ele de mim
e jogou-o no lago.
- Porque você fez isso? – Eu gritei enquanto descia do cavalo
e ia em direção ao lago, mas entes que eu pudesse chegar lá ele me alcançou e
me puxou pelo braço até meu cavalo, eu tentei me soltar, mas ele prendeu meus
braços e me puxou para perto.
- Porque nós temos uma missão a cumprir e até cumprirmos ela
você não pode ter nenhum contato com ninguém.
Ele estava tão próximo de mim que eu podia sentir sua
respiração, os olhos cinza davam certo destaque a sua pele pálida e o cabelo
preto estava caído sobre o olho direito cobrindo a cicatriz no canto do olho
que se estendia até maça do rosto, ele passou alguns minutos me olhando, mas
depois me soltou e subiu no cavalo, eu fiz o mesmo e continuamos cavalgando em
silêncio até chegarmos ao que parecia um antigo monastério.
- Não sabia que existiam monastérios na Flórida.
- Não existe, isso é uma fortaleza.
Ele desceu do cavalo e entrou na fortaleza, eu o segui. Era
estranho porque não havia ninguém lá, ele olhava freneticamente para os lados
procurando algo ou alguém até que ele parou de repente olhando para o que
parecia ser uma capela, ele entrou lá e eu o segui, quando entramos havia um
amontoado de corpos. Ele aproximou-se do corpo de uma garotinha.
- Quem é ela?
- Minha irmã. – Disse ele friamente.
- Sinto muito.
- Tanto faz... Você me lembra um pouco ela.
- Sério? Em que?
- As duas são ruivas, magras, irritantes e tem olhos azuis.
- Quantos anos ela tinha?
- Seis... Só uns onze anos mais nova que você. – Disse ele em
um tom sarcástico.
- Está me chamando de velha?
- Claro que não – Ele olhou para mim e sorriu. – Temos a
mesma idade porque te chamaria assim.
Ele levantou-se e saiu da capela eu o segui até um templo e
ele disse:
- Só posso vir até aqui o resto é com você.
Eu entrei no templo cautelosamente e a porta se fechou atrás
de mim e a sala acendeu revelando uma mesa e uma mulher misteriosa.
- Sente-se Amber – Disse ela e apontou para a cadeira. – Deixe-me
ver o colar.
Eu mostrei o colar a ela e ela puxou uma caixa empoeirada,
colocou-a sobre a mesa e abriu-a revelando um colar com um pingente em forma de
uma pérola negra. Ela me deu o colar e desapareceu, a porta se abriu e a sala
apagou-se novamente, havia uma carta de tarô com o colar e havia algo escrito
nela, mas eu não consegui ler, pois estava em latim. Quando sai do templo Kyle
estava sentado em um banco olhando para o céu, quando fechei a porta do templo
ele se levantou e disse:
- Muito bem agora vamos atrás do próximo colar. – Ele olhou
para a carta. – Deixe-me ver isso.
Eu entreguei a carta para ele. Ele a observou por um tempo e disse:
- Você achará aquilo que procura onde o sol não brilha e não
há reflexo. É uma caverna! Vamos, não temos tempo a perder.
- Vamos para onde?
- Pegar o próximo colar.
- Será que não podemos parar para descansar? Eu passei a
noite em claro.
- Claro que podemos, quando tivermos todos os colares.
Ele sorriu e voltou para onde havíamos deixado os cavalos eu
o segui até ouvir um barulho vindo de trás da capela e decidi ver o que era,
quando estava me aproximando vi um clarão vindo de lá e corri para ver, mas
quando cheguei lá só tinha uma rosa vermelha a mesma rosa que eu havia visto no
hospital, decidi pega-la, mas Kyle chegou e disse:
- Se eu fosse você, eu não tocaria nisso.
- Porque não?
- Está vendo as manchas brancas? É veneno.
Eu me levantei e fui em direção aos cavalos. Cavalgamos por
horas até chegar a uma rodoviária, deixamos os cavalos e pegamos um ônibus para
o aeroporto. Quando chegamos ao aeroporto já era noite, Kyle tinha ido comprar
as passagens e eu fiquei esperando por ele perto da área de embarque. De
repente alguém põe as mãos sobre meus olhos e fala:
- Adivinha quem é!
Eu reconheci a voz na hora, era Nathan um dos meninos do meu
colégio, ele tem olhos castanhos escuros, o cabelo dele é preto e curto e ele
tem a pele morena, diferente de mim que tenho a pele pálida. Eu fiquei
completamente paralisada sem saber o que fazer afinal não é todo dia que eu
encontro o garoto que eu gosto em um aeroporto.
- Hum... Oi Nathan
Ele tirou as mãos dos meus olhos e me abraçou forte, ficamos
alguns minutos assim, parados no meio do aeroporto, abraçados. Até que Kyle
chegou e me puxou meu braço, mas antes que ele pudesse sair me arrastando pelo
aeroporto Nathan segurou o ombro dele, ele olhou para mim depois para Nathan e
deu um sorriso sarcástico.
- Se nos der licença temos que pegar um avião. – Disse Kyle.
- Amber quem é esse cara? – Nathan perguntou.
- Ele é... – Comecei, mas fui interrompida por Kyle.
- Sou o namorado dela. – Eu o encarei com os olhos semicerrados.
– E você quem é?
- Eu sou amigo dela.
Kyle tirou a mão de Nathan de seu ombro e me arrastou até o
avião. Chegando lá bati em seu braço e falei:
- Como você pôde fazer isso?
- Isso o que?
- Me humilhar daquele jeito na frente dele e ainda dizer que
é meu namorado.
- Supere isso e eu não te humilhei eu te ajudei, aquele cara
não passa de um idiota qualquer.
Eu o encarei com ar de ódio e engoli as palavras que no
momento queria dizer. Ele sentou-se e colocou os fones de ouvido como se nada
tivesse acontecido, sentei-me ao seu lado e fechei os olhos tentando esquecer o
que acabará de acontecer, devo ter pegado no sono, pois quando abri os olhos
Kyle estava brigando com três caras bem maiores do que ele e todos vestidos de
preto, eu estava pensando seriamente em deixa-lo lá e sair correndo com os
colares, mas em vez disso peguei o extintor de incêndio e bati na cabeça de um
deles, mas ele não sentiu absolutamente nada, ele se virou, apertou meu pescoço
e me suspendeu a uma altura que meus olhos se encontravam com os dele, eles
eram duas orbitas negras e tudo que eu conseguia ver quando olhava para eles
era o vazio.
Eu estava quase morrendo sufocada quando Kyle pegou uma
bandeja e tentou acertar o rosto dele, mas ele se esquivou largando-me sobre os
assentos, eu bati a cabeça com força e não consegui me levantar, Kyle ficou
gritando para eu correr, mas eu não conseguia me levantar então ele segurou
meus dois braços com força e me puxou saímos correndo pelas cabines do avião
até chegarmos à cabine do piloto.
Quando chegamos lá o copiloto se levantou e tentou esfaquear
Kyle, mas ele desviou e o jogou contra a parede. Ele se virou assim que sentiu
o cano da arma tocar seu pescoço, eu estava bem atrás dele quando o copiloto se
levantou e deu um soco em Kyle, ele estava tentando se levantar quando o piloto
bateu o cano da arma em sua cabeça, deixando ele inconsciente. Eu não tinha a
mínima ideia do que fazer, tentei correr, mas eles puxaram meu cabelo e me
jogaram contra a parede, quando tentei me levantar algum deles bateu na minha
cabeça e eu desmaiei.
By: Izah Oliveira
By: Izah Oliveira

